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DESCONSTRUIR A CRISE: O CASO DO RODOANEL NORTE

abril 18, 2012
O seminário Desconstruindo a Crise Civilizacional – Um Olhar Sobre a Rio+20, organizado pelo PROAM, ocupou dois dias do auditório do Ministério Público Federal, na Bela Vista.  O portal acompanhou o painel 5, que falou dos financiamentos a projetos de grande impacto ambiental, e que apresentou o case do Rodoanel trecho Norte.
 
O nome do evento é direto: existe uma crise civilizacional que precisa ser desconstruída.  O mediador desse painel, pesquisador Arthur Soffiati, lembrou que o planeta já passou por cinco crises profundas, mas que a atual é a primeira crise produzida por um grupo, em uma ação coordenada. O grupo são os seres humanos.  A ação coordenada é o esgotamento dos recursos naturais e a dizimação da Natureza.  Ele lembrou o que aconteceu na Ilha de Páscoa, onde os moradores desapareceram após esgotarem os recursos locais.  “O planeta Terra é uma ilha de Páscoa mundial”, disse Soffiati. Considerou que só uma grande mudança global de hábitos pode mudar essa situação predatória.
 

Bruce Rich, Arthur Soffiati e Mauro Victor na mesa do Painel 5.

Em seguida o engenheiro agrônomo Mauro Victor apresentou dados da luta pela preservação da biodiversidade da Serra da Cantareira em sua relação com a metrópole, e da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, ameaçados pela construção do Rodoanel trecho Norte.  Somando o custo total da obra com os passivos ambientais, o Rodoanel pode chegar a custar R$ 50 bilhões.  E em particular no trecho Norte, área consabidamente mais delicada, para que serve essa obra?   Não se justifica pelo relativamente baixo número de caminhões que esse trecho vai tirar do centro da cidade.  E mais:  esse modelo vai exportar poluição para as áreas de pureza ambiental do Parque Estadual da Cantareira, que tem trechos a apenas 10 km do centro da cidade, e servem, entre outros serviços ambientais,  como amortecedores do calor da metrópole.  Um CONTRA-RIMA foi feito por técnicos, para se contrapor ao RIMA que foi contratado pela empreendedora DERSA.  Victor apresentou a teia de instâncias e parceiros no esforço contra o Rodoanel trecho Norte, até em esferas internacionais.  Sabedor da dificuldade da luta, Victor disse “aguardar o imponderável”, por isso mantém a esperança. 
 
Em seguida Bruce Rich, advogado norte-americano ligado a questões ambientais, falou sobre os impactos ambientais que grandes obras de infra-estrutura ocasionam, e de como isso é avaliado pelos financiadores. Ele disse que desde a Rio 92 se passou a dar atenção a isso. Apesar disso, os países que pedem emprestado costumam ter pressa, e pouca ou nenhuma paciência com a análise ambiental que os financiadores internacionais querem fazer.   Ele informou que a partir de então o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) criaram comitês de análise dos impactos sócio-ambientais, para ver se não há violação à legislação local. Corrupção e falta de vontade política, segundo Rich, são duas pedras no caminho de processos transparentes de avaliação do impacto sócio-ambiental de grandes empreendimentos.  Ele acha que a sociedade tem que exigir que o dinheiro só seja colocado em “políticas verdes”, ou seja, projetos com sustentabilidade, e isso só pode ser feito com uma análise muito profunda e sem urgência.
 
Às vésperas da cúpula mundial Rio+20, desconstruir a crise civilizacional é um desafio colocado a todos os habitantes do planeta.
 

Público no auditório do Ministério Público Federal.

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